5 motivos para conhecer “Úrsula”, de Maria Firmina dos Reis

Publicado em 1859, o romance “Úrsula” acompanha o amor dos jovens Úrsula e Tancredo, que têm de enfrentar uma série de obstáculos para manterem-se unidos. À primeira vista, o enredo pode parecer demasiadamente “adocicado”, com muito romance, dramas, perseguições… Em parte, isso é até verdade, mas alguns aspectos da obra a tornam um verdadeiro marco da literatura brasileira.


1. Primeiro romance abolicionista do Brasil:

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Navio negreiro representado em pintura do século XIX, do artista Rugendas.

Dez anos antes da criação de “O Navio Negreiro”(1869), poema escrito por Castro Alves, houve a obra “Úrsula”. Embora não seja protagonizada por escravos, esses assumem importantes papéis na história, em figuras como Túlio, Susana e Antero. Mais do que isso, essas personagens ganham voz para relembrar a verdadeira liberdade que tiveram, vivenciada na África, sua terra natal. Além disso, Maria Firmina dos Reis narra as condições desumanas a que eram submetidos os escravos nos navios negreiros.

“(…) davam-nos a água imunda, podre e dada com mesquinhez, a comida má e ainda mais porca; vimos morrer ao nosso lado muitos companheiros à falta de ar, de alimento e de água.”

2. Retrato da situação da mulher:

Além de denunciar a escravidão no Brasil, a autora também faz um retrato de relacionamentos abusivos ao longo da narrativa. Nesse sentido, Luíza B. e a mãe de Tancredo são duas mulheres que tiveram de viver submissas a seus respectivos maridos, dos quais foram vítimas de abuso durante toda a vida.

3. Uma mulher a frente de seu tempo:

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Fonte: Jornal Nexo

Nascida no Maranhão em 1822, Maria Firmina dos Reis não só foi a primeira mulher a ser aprovada em concurso público em seu estado, como também é considerada a primeira romancista brasileira. Ademais, a escritora foi responsável pela fundação da primeira escola maranhense destinada a meninos e meninas, a qual acabou por ser fechada três anos depois, em virtude do escândalo que causara na época. Por tudo isso, não há dúvidas de que Maria Firmina foi uma mulher a frente de seu tempo.

4. Obra pouco reconhecida:

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Ainda que a crítica tenha tido, de modo geral, opiniões positivas quanto à obra na época em que esta foi publicada, é fato que a autora ficou relegada ao desconhecimento durante um longo período. Assim, foi somente em 1975 que a literatura de Maria Firmina dos Reis foi resgatada, quando o pesquisador Horácio de Almeida encontrou uma edição de “Úrsula” num sebo. No entanto, a escritora ainda hoje não recebe o reconhecimento devido – afinal, em quantas escolas pode-se dizer que o trabalho dela é exposto aos alunos, ao lado de figuras como José de Alencar e Machado de Assis?

5. Livro em domínio público:

Por fim, há ainda outro motivo para conhecer o romance mais famoso de Maria Firmina dos Reis: está em domínio público! Então, por que você não dá uma chance a essa escritora? Basta clicar aqui para ter acesso ao livro. Boa leitura! 🙂


Referências:

DA SILVA, Régia Agostinho. A mente, essa ninguém pode escravizar: Maria Firmina dos Reis e a escrita feita por mulheres no Maranhão. Leitura: Teoria & Prática, v. 29, n. 56, p. 11-19, 2011.

DE OLIVEIRA, Adriana Barbosa. Gênero e etnicidade no romance Úrsula, de Maria Firmina dos Reis. Anais do SETA-ISSN 1981-9153, v. 1, 2007.